Em boa parte das consultas de Odontogeriatria que realizo aqui em Jardim Bonfiglioli, Butantã – São Paulo, escuto relatos muito parecidos:
“Minha boca vive seca, preciso de água o tempo todo.”
“Os dentes estão mais sensíveis, dói quando bebo algo gelado.”
“Tenho evitado alguns alimentos porque não consigo mastigar direito.”
Muitas vezes, esses sintomas são encarados como “coisas da idade” e acabam sendo ignorados. Mas não deveriam.
Boca seca, retração gengival e dificuldade de mastigar são problemas muito frequentes na terceira idade, que têm tratamento e impactam diretamente a alimentação, o bem-estar e a qualidade de vida do idoso.
Quero explicar, de forma clara, por que essas alterações acontecem, quais os riscos e como podemos cuidar disso com segurança e acolhimento.
Boca seca na terceira idade: por que isso acontece?
A sensação de boca seca, que chamamos de xerostomia, é uma queixa muito comum entre idosos. Ela não é apenas um incômodo; pode ser consequência de vários fatores:
- Uso de múltiplos medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, diuréticos, remédios para coração, entre outros);
- Doenças sistêmicas, como diabetes e algumas doenças autoimunes;
- Tratamentos como radioterapia em cabeça e pescoço;
- Redução natural da produção de saliva com o envelhecimento.
A saliva é muito mais importante do que parece. Ela ajuda na mastigação, na deglutição, na fala, protege os dentes contra cáries e participa até da defesa contra alguns microrganismos. Quando ela diminui, tudo isso fica prejudicado.
Os sintomas mais frequentes são:
- sensação de “areia” ou queimação na boca;
- dificuldade para engolir alimentos secos;
- necessidade constante de beber água;
- lábios ressecados, língua áspera;
- mau hálito;
- aumento de cáries, principalmente na região próxima à gengiva.
Como podemos aliviar a boca seca?
O tratamento da boca seca começa entendendo a causa. Na consulta, sempre pergunto sobre:
- todos os medicamentos em uso;
- doenças pré-existentes;
- há quanto tempo a sensação de boca seca começou;
- se há dificuldade para engolir, falar ou se alimentar.
Em muitos casos, não é possível simplesmente suspender um medicamento – e nem é esse o objetivo do dentista. Mas é possível amenizar o desconforto e proteger a boca:
- orientar sobre cremes dentais e enxaguantes mais adequados para quem tem xerostomia;
- sugerir ajustes de hábitos (por exemplo, consumo de água ao longo do dia, respeitando orientações médicas);
- em alguns casos, indicar produtos específicos que imitam ou estimulam a saliva;
- reforçar a importância de uma higiene bucal cuidadosa, já que a proteção natural da saliva está reduzida.
Cada caso é único, e o plano sempre é feito considerando a saúde geral do idoso.
Retração gengival: dentes “mais compridos” e aumento da sensibilidade
Outra queixa muito comum é a de que os dentes parecem estar “crescendo” ou ficando mais expostos. Na verdade, não é o dente que cresce, é a gengiva que sobe ou desce, deixando a raiz à mostra. Isso se chama retração gengival.
As principais causas são:
- doenças gengivais (gengivite, periodontite) ao longo da vida;
- escovação muito forte, com escova dura e movimentos agressivos;
- posicionamento desfavorável dos dentes;
- fatores genéticos;
- envelhecimento natural dos tecidos de suporte.
Quando a gengiva retrai, a região da raiz fica exposta, e essa área é mais sensível. O idoso passa a sentir:
- dor ou sensibilidade ao frio, calor ou alimentos doces;
- desconforto ao escovar os dentes;
- sensação de “buracos” ou espaços maiores entre os dentes;
- maior acúmulo de alimentos e placa naquela região.
Além da sensibilidade, há um ponto importante: a raiz exposta é mais suscetível a cáries, que podem evoluir rápido se não forem tratadas.
O que pode ser feito em casos de retração gengival?
O primeiro passo é avaliar se a retração está estável ou ativa, se há inflamação, acúmulo de placa, cáries ou mobilidade dentária.
Entre as medidas que normalmente adoto:
- adequar a técnica de escovação, ensinando o idoso (ou cuidador) a usar menos força e movimentos mais suaves;
- indicar escovas de cerdas macias e cremes específicos para sensibilidade dentária;
- tratar eventuais cáries de raiz;
- controlar processos inflamatórios gengivais;
- em alguns casos selecionados, discutir tratamentos mais específicos com o periodontista.
Na Odontogeriatria, eu sempre pondero o que é realmente necessário e o que é viável para aquele idoso, naquele momento da vida. Muitas vezes, pequenas mudanças de hábito e alguns ajustes já trazem alívio significativo.
Dificuldade de mastigar: impacto direto na alimentação e na saúde
A mastigação é uma função básica, mas depende de um conjunto de fatores que, na terceira idade, podem estar comprometidos: dentes ausentes, dentes frágeis, gengivas sensíveis, próteses antigas, boca seca, dor ao morder.
Quando o idoso não consegue mastigar bem, ele tende a:
- evitar alimentos mais duros, como carnes, frutas e saladas cruas;
- preferir alimentos muito moles, pastosos ou processados;
- demorar mais tempo para comer e se cansar no meio da refeição;
- emagrecer sem motivo aparente;
- perder o prazer de se alimentar.
Isso não é apenas um desconforto. A dificuldade de mastigar pode levar à desnutrição, perda de massa muscular, queda de imunidade e piora do estado geral de saúde.
Como avaliamos a mastigação na consulta de Odontogeriatria?
Quando um paciente me procura relatando dificuldade de mastigar, avalio vários pontos:
- quantos dentes ele ainda tem e em que estado estão;
- se há dor em algum dente ou região específica;
- como estão as gengivas;
- se usa prótese, há quanto tempo e em que condições;
- se há limitação de abertura de boca ou dor nas articulações;
- como é a alimentação no dia a dia.
Muitas vezes, o problema principal está em uma prótese antiga ou mal adaptada, que machuca ou não oferece estabilidade. Outras vezes, são dentes comprometidos, com cárie, fratura ou mobilidade.
Dependendo do quadro, podemos:
- ajustar ou substituir próteses;
- tratar dentes que ainda podem ser preservados;
- simplificar o plano de tratamento, focando em devolver conforto e função mais do que perfeição estética;
- orientar adaptações na alimentação, sempre em conjunto com o médico ou nutricionista, quando necessário.
A relação entre boca seca, retração gengival e mastigação
Esses três problemas muitas vezes andam juntos. Um idoso pode ter, ao mesmo tempo:
- boca seca por causa dos medicamentos;
- retração gengival com sensibilidade;
- prótese antiga que machuca;
- e, como resultado, grande dificuldade de mastigar.
Por isso, não adianta olhar apenas para um ponto isolado. Na Odontogeriatria, a avaliação é sempre integrada. Eu não trato a boca como um conjunto de dentes desconectados, mas como parte de um organismo envelhecido, com medicações, doenças associadas, limitações físicas e uma história de vida.
O objetivo é construir um plano que seja seguro, possível e realmente útil para aquele idoso, envolvendo, quando necessário, a família e os cuidadores.
O que a família pode observar e quando procurar ajuda
Se você convive com um idoso, vale ficar atento a algumas mudanças:
- Ele está bebendo mais água e reclamando de boca seca?
- Come menos do que comia antes?
- Deixa alimentos de lado, especialmente os mais firmes?
- Reclama de sensibilidade ou dor ao tomar algo gelado ou quente?
- Já comentou que a dentadura incomoda, machuca ou vive caindo?
- Emagreceu nos últimos meses, sem um motivo claro?
Esses sinais podem indicar que a saúde bucal está comprometida e que é hora de marcar uma avaliação.
Quanto mais cedo cuidamos, mais simples tende a ser a intervenção.
Odontogeriatria em Jardim Bonfiglioli (Butantã, São Paulo): como posso ajudar
Na Clínica Odontológica Andréa Ávila, em Jardim Bonfiglioli – Butantã, São Paulo, meu foco é justamente o cuidado com:
- idosos com boca seca, sensibilidade e retração gengival;
- pacientes com dificuldade de mastigar, próteses antigas ou desconfortáveis;
- pessoas com doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos e maior fragilidade;
- famílias que percebem que algo não vai bem na alimentação ou no conforto bucal do idoso.
Com minha formação em Odontogeriatria, Pacientes Especiais e Odontologia Hospitalar, busco sempre unir segurança clínica, planejamento individualizado e acolhimento humano.
Pequenos sintomas, grandes impactos
Boca seca, retração gengival e dificuldade de mastigar não são meros detalhes do envelhecimento. São sinais de que a boca precisa de atenção e de que esse cuidado pode transformar o dia a dia do idoso.
Ao tratar esses problemas, não estamos apenas “cuidando dos dentes”. Estamos:
- facilitando a alimentação,
- prevenindo dor e infecções,
- melhorando o humor e o bem-estar,
- contribuindo para uma longevidade com mais qualidade de vida.
Se você percebeu essas queixas em um familiar idoso, especialmente se mora na região de Jardim Bonfiglioli ou Butantã, talvez seja o momento de buscar uma avaliação em Odontogeriatria.
Agende uma avaliação
Se você deseja avaliar a boca do seu familiar idoso e entender como podemos melhorar a mastigação, a sensibilidade e o conforto:
- Site: andreaavilaodontologia.com.br
- Seção: Odontogeriatria
- Local: Clínica Odontológica Andréa Ávila – Jardim Bonfiglioli, Butantã – São Paulo
Será um prazer acolher você e sua família nesse cuidado.




