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Cárie de raiz em idosos: como prevenir e tratar

A cárie de raiz é um problema frequente entre pessoas idosas, mas nem sempre é identificada no início. Em muitos casos, ela começa de maneira discreta, com uma pequena mancha próxima à gengiva ou uma sensibilidade durante a escovação. Com o tempo, porém, pode comprometer uma parte extensa do dente e dificultar o tratamento.

Esse tipo de cárie está relacionado principalmente à exposição da raiz, à retração gengival, à redução da saliva e à dificuldade de manter uma higiene bucal adequada. Por isso, não deve ser analisado apenas como uma consequência do envelhecimento. O risco aumenta conforme as condições da boca e da saúde geral se modificam, mas existem medidas eficazes para prevenir o problema e controlar sua evolução.

O que é a cárie de raiz?

A raiz do dente normalmente fica protegida pela gengiva e pelo osso. Quando ocorre retração gengival ou perda do suporte periodontal, essa região fica exposta ao ambiente bucal.

Diferentemente da coroa, que é revestida por esmalte, a raiz é recoberta por tecidos mais vulneráveis, como o cemento e a dentina. Por esse motivo, a ação das bactérias e dos ácidos produzidos pela placa pode provocar uma lesão com mais facilidade.

A cárie radicular costuma aparecer próxima à margem da gengiva, mas também pode se estender ao redor do dente. Em alguns pacientes, a área afetada fica escondida por uma prótese, por uma restauração antiga ou pela própria anatomia da região, o que dificulta a percepção do problema.

Por que ela é mais comum na terceira idade?

O envelhecimento não causa cárie diretamente. O que acontece é que, ao longo dos anos, alguns fatores que favorecem a doença se tornam mais presentes.

A retração gengival é um deles. Ela pode estar relacionada a doenças periodontais anteriores, à escovação com força excessiva, a alterações na posição dos dentes ou à perda de tecido de suporte. Quando a raiz fica exposta, passa a exigir uma higiene mais cuidadosa, justamente em uma área que pode ser mais sensível e difícil de alcançar.

Outro fator importante é a boca seca. Muitos idosos utilizam medicamentos continuamente para controlar pressão arterial, dores, ansiedade, depressão, alergias e outras condições. Alguns desses medicamentos podem reduzir o fluxo salivar. Doenças sistêmicas e determinados tratamentos também podem interferir na produção de saliva.

A saliva ajuda a lubrificar a boca, facilita a mastigação e a deglutição e participa da proteção natural dos dentes. Quando está reduzida, a placa bacteriana tende a se acumular com maior facilidade e a capacidade de neutralizar os ácidos diminui.

Também é preciso considerar as limitações que podem dificultar a higiene. Tremores, artrite, redução da visão, sequelas de acidente vascular cerebral e alterações cognitivas podem fazer com que o idoso não consiga escovar os dentes com a mesma eficiência de antes. Em alguns casos, o cuidador precisa assumir parte ou toda a rotina de higiene.

Como reconhecer os primeiros sinais

A cárie de raiz nem sempre provoca dor nas fases iniciais. Por isso, a observação da família e o acompanhamento odontológico são importantes.

Uma mancha amarelada, acastanhada ou escura perto da gengiva pode ser um sinal de alteração. A superfície também pode ficar áspera, apresentar uma pequena cavidade ou reter alimentos com frequência. Sensibilidade ao frio, ao calor, a alimentos doces ou mesmo durante a escovação merece atenção.

Em pacientes com demência, a manifestação pode ser menos evidente. O idoso pode não conseguir dizer que sente dor e passar a rejeitar determinados alimentos, mastigar apenas de um lado, ficar irritado durante a higiene ou levar a mão repetidamente à boca. Mudanças de comportamento, especialmente durante as refeições, devem ser investigadas antes de serem atribuídas exclusivamente à doença neurológica.

Nem toda alteração escura próxima à gengiva é cárie. Pode haver pigmentação, desgaste, cálculo ou uma restauração antiga. O diagnóstico depende do exame clínico e, quando necessário, de exames complementares.

A importância do cuidado com a retração gengival

Quando a gengiva se retrai, a raiz exposta pode apresentar sensibilidade e maior risco de cárie. Algumas pessoas, ao perceberem essa região, passam a escovar com mais força na tentativa de limpá-la melhor. Essa atitude pode aumentar a irritação e contribuir para o agravamento da retração.

O ideal é utilizar uma escova de cerdas macias e realizar movimentos cuidadosos, sem pressionar excessivamente a gengiva. A técnica precisa ser orientada de acordo com a condição periodontal, a sensibilidade e a capacidade motora do paciente.

A retração também pode estar associada a uma doença periodontal ativa. Nesses casos, não basta tratar somente a sensibilidade ou restaurar a lesão de cárie. É necessário controlar a inflamação e avaliar o suporte dos dentes.

Boca seca e cárie: uma relação que precisa ser investigada

A queixa de boca seca é comum no consultório, mas suas causas são variadas. O paciente pode sentir necessidade de beber água continuamente, dificuldade para engolir alimentos secos, ardência na língua ou alteração no paladar.

Quando suspeito que a xerostomia esteja relacionada ao uso de medicamentos, não recomendo que o paciente interrompa ou altere o tratamento por conta própria. A conduta adequada é conversar com o médico responsável para verificar se existe alguma possibilidade de ajuste. Enquanto isso, a odontologia pode atuar na proteção dos dentes e no alívio dos sintomas.

A ingestão de água deve respeitar as orientações médicas, principalmente em pacientes com restrição hídrica, insuficiência cardíaca ou doença renal. Produtos para lubrificação da boca, estimulantes salivares e cremes dentais específicos podem ser considerados, mas a indicação deve levar em conta o quadro clínico e a capacidade de uso do paciente.

Como prevenir a cárie de raiz

A prevenção depende da combinação de cuidados diários e acompanhamento profissional. A escovação deve ser realizada pelo menos duas vezes ao dia, com atenção à margem da gengiva e às áreas em que a raiz está exposta. Quando o idoso não consegue fazer a higiene sozinho, o cuidador deve receber orientação sobre posicionamento, força aplicada e sequência dos movimentos.

O creme dental também deve ser escolhido de maneira criteriosa. Em pacientes com risco aumentado de cárie, o dentista pode indicar produtos com maior concentração de flúor ou outras medidas preventivas, de acordo com a idade, a condição bucal e a capacidade de cuspir. Enxaguantes não substituem a escovação e podem não ser adequados para todos, especialmente quando há dificuldade de controlar a deglutição ou tendência à boca seca.

A alimentação merece atenção. O problema não está apenas na quantidade de açúcar consumida, mas também na frequência. Pequenas porções de alimentos ou bebidas açucaradas várias vezes ao dia mantêm os dentes expostos aos ácidos por mais tempo. Em idosos com dificuldade de mastigação, a consistência dos alimentos deve ser adaptada, mas é possível buscar alternativas com menor frequência de açúcar e melhor valor nutricional.

Próteses, coroas, pontes e restaurações também precisam ser higienizadas adequadamente. A retenção de placa ao redor dessas estruturas pode favorecer cáries na raiz e inflamações gengivais.

Como é feito o tratamento?

A escolha do tratamento depende da extensão da lesão, da profundidade, da presença de dor e da possibilidade de o paciente manter uma boa higiene depois do procedimento.

Lesões iniciais podem ser acompanhadas com medidas de controle e prevenção, enquanto cavidades mais definidas geralmente precisam de restauração. Quando a cárie se aproxima da polpa ou provoca infecção, o tratamento pode exigir uma abordagem mais complexa.

Em pacientes idosos, especialmente quando há fragilidade, demência ou várias doenças associadas, o planejamento deve ser cuidadoso. Nem sempre o tratamento mais extenso é o mais adequado. É preciso considerar o desconforto do procedimento, a capacidade de colaboração, o prognóstico do dente e a possibilidade de manutenção pela família ou pelo cuidador.

O objetivo é preservar a função e evitar dor e infecção, escolhendo uma conduta que seja segura e viável para aquela pessoa.

Quando procurar o dentista?

A avaliação não deve ser adiada quando há dor persistente, sensibilidade que piora, fratura, inchaço, secreção, mau hálito intenso ou dificuldade para se alimentar. Também é importante marcar uma consulta quando o idoso apresenta retração gengival, boca seca, múltiplas restaurações ou dificuldade crescente para realizar a higiene.

Na Odontogeriatria, a consulta não se limita à procura de uma cárie. É necessário compreender como o paciente se alimenta, quem realiza a higiene, quais medicamentos utiliza e quais limitações interferem na rotina.

Na Clínica Odontológica Andréa Ávila, em Jardim Bonfiglioli, no Butantã, essa avaliação é feita considerando a condição bucal e o contexto geral do idoso. A orientação precisa ser prática, porque o tratamento só terá continuidade se puder ser incorporado à rotina do paciente e de sua família.

A cárie de raiz pode comprometer dentes que ainda têm função importante, mas muitas vezes pode ser evitada com medidas relativamente simples. O controle da boca seca, a higiene cuidadosa, a prevenção da doença gengival e o acompanhamento periódico fazem diferença, especialmente quando já existe retração gengival ou dificuldade motora.

Para o familiar ou cuidador, observar pequenas mudanças — como sensibilidade, recusa alimentar ou resistência durante a escovação — pode ajudar a identificar o problema antes que ele se agrave.

Agende uma avaliação

Se houver suspeita de cárie, o ideal é procurar uma avaliação odontológica. Quanto mais cedo a lesão for identificada, maiores são as possibilidades de realizar um tratamento conservador e preservar o conforto do idoso.

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