Com o passar dos anos, é comum que idosos comecem a relatar incômodos como:
- “Minha boca vive seca, parece que falta saliva.”
- “Meus dentes estão mais sensíveis, principalmente perto da gengiva.”
- “Tenho evitado certos alimentos porque não consigo mastigar direito.”
Esses sinais muitas vezes são atribuídos “à idade”, mas, na verdade, podem indicar problemas bucais que têm tratamento e que impactam diretamente a alimentação, a fala, o conforto e a qualidade de vida.
Na Clínica Odontológica Andréa Ávila, em Jardim Bonfiglioli (Butantã, São Paulo), observamos com frequência três queixas principais em idosos: boca seca, retração gengival e dificuldade de mastigar. Neste artigo, explico por que esses problemas acontecem, quais são os riscos e como a Odontogeriatria pode ajudar.
Boca seca (xerostomia) na terceira idade
A sensação de “boca seca” é conhecida como xerostomia e é extremamente comum em idosos. Ela pode ser causada por:
- Uso de múltiplos medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, diuréticos, entre outros);
- Doenças sistêmicas, como diabetes, síndrome de Sjögren e outras condições autoimunes;
- Radioterapia de cabeça e pescoço, em alguns casos;
- Redução fisiológica da produção de saliva ao longo da vida.
Por que a saliva é tão importante?
A saliva não serve apenas para “molhar” a boca. Ela é essencial para:
- Lubrificar a mucosa, facilitando fala e deglutição;
- Neutralizar ácidos, ajudando a prevenir cáries;
- Auxiliar na digestão inicial dos alimentos;
- Proteger contra infecções, por conter componentes com ação antimicrobiana.
Quando a saliva diminui, surgem sintomas como:
- Sensação de areia ou queimação na boca;
- Dificuldade para engolir alimentos secos;
- Maior necessidade de ingerir água com frequência;
- Rachaduras nos lábios, língua áspera, halitose;
- Aumento do risco de cáries, especialmente na raiz dos dentes.
O que pode ser feito para aliviar a boca seca?
Na consulta de Odontogeriatria, avaliamos o quadro geral do paciente e orientamos medidas como:
- Ajustes na higiene bucal, com cremes dentais e enxaguantes mais adequados;
- Estímulo à mastigação de alimentos que favoreçam a produção de saliva (quando possível);
- Uso de salivas artificiais ou produtos específicos para xerostomia, quando indicado;
- Orientações sobre ingestão de água ao longo do dia (sem exageros em pacientes com restrição hídrica);
- Identificação de medicamentos que podem estar contribuindo com o quadro, para eventual discussão com o médico.
O objetivo é reduzir o desconforto, proteger dentes e gengivas e facilitar a alimentação e a fala.
Retração gengival em idosos
A retração gengival é o deslocamento da gengiva para baixo (em dentes inferiores) ou para cima (em dentes superiores), deixando parte da raiz do dente exposta. É muito frequente em adultos e ainda mais evidente na terceira idade.
Por que a retração gengival acontece?
Alguns dos fatores mais comuns são:
- Doenças gengivais (gengivite e periodontite) ao longo da vida, que afetam o osso e a gengiva de suporte;
- Escovação muito agressiva, com força excessiva e escovas de cerdas duras;
- Envelhecimento natural dos tecidos de suporte do dente;
- Problemas de alinhamento dentário ou oclusão;
- Fatores genéticos.
Quais são os sinais e os incômodos?
- Dentes aparentando estar “mais compridos”;
- Sensibilidade ao frio, calor ou alimentos doces;
- Presença de “triângulos escuros” entre os dentes;
- Acúmulo de placa bacteriana na região exposta;
- Em alguns casos, dor ao escovar.
Além do incômodo, a retração gengival pode favorecer o surgimento de cáries de raiz, que avançam mais rapidamente e podem levar à perda de dentes se não forem tratadas.
Tratamento e cuidados na retração gengival
Na consulta de Odontogeriatria, avaliamos:
- O grau de retração;
- A presença de inflamação gengival ativa;
- A presença de cáries ou desgaste na região exposta.
As condutas podem incluir:
- Ajuste da técnica de escovação, com orientação personalizada;
- Indicação de escova de cerdas macias e creme dental específico para sensibilidade;
- Tratamento das cáries de raiz, quando presentes;
- Em alguns casos selecionados, encaminhamento para procedimentos periodontais de recobrimento ou controle avançado da doença gengival.
Em idosos, o objetivo principal é controlar sensibilidade, prevenir cáries e preservar o suporte dentário, sempre considerando a condição geral do paciente.
Dificuldade de mastigar: quando a boca atrapalha a alimentação
A dificuldade de mastigar é uma queixa muito comum na terceira idade e pode ter várias causas, que muitas vezes se somam:
- Perda de dentes ao longo da vida;
- Próteses antigas, mal adaptadas ou desgastadas;
- Dor ao morder ou mastigar;
- Mobilidade dentária (dentes “moles”);
- Falta de coordenação motora fina para controlar o alimento na boca;
- Boca seca, que dificulta a formação do bolo alimentar.
Consequências da dificuldade de mastigação
Quando o idoso não consegue mastigar bem, ele tende a:
- Evitar alimentos mais firmes, como carnes, frutas e verduras cruas;
- Preferir alimentos muito macios, pastosos ou ultra processados;
- Reduzir a variedade da dieta, o que pode levar a carências nutricionais;
- Perder peso de forma não intencional;
- Sentir menos prazer ao comer, o que afeta também o aspecto emocional e social das refeições.
Ou seja, a dificuldade de mastigar não é apenas um problema na boca; ela afeta diretamente a nutrição, a energia e a qualidade de vida do idoso.
Como a Odontogeriatria pode ajudar na mastigação?
Na avaliação odontogeriátrica, analisamos:
- Quantos dentes o idoso ainda possui e em que condição estão;
- Qual é o estado das próteses (próteses totais, parciais, próteses antigas);
- Se há dor, lesões ou feridas na mucosa;
- Como está a coordenação para mastigar e engolir.
A partir disso, é possível:
- Ajustar ou trocar próteses que machucam ou não oferecem estabilidade;
- Tratar dentes comprometidos que ainda podem ser preservados;
- Orientar sobre cortes de alimentos mais adequados (tamanhos, consistência);
- Em alguns casos, planejar reabilitações mais avançadas, sempre ponderando os riscos e benefícios para aquele idoso específico.
O foco é permitir que o paciente mastigue com mais segurança e conforto, mantendo o prazer em se alimentar e a nutrição adequada.
A importância de avaliar o idoso por completo
Embora tenhamos falado separadamente de boca seca, retração gengival e dificuldade de mastigar, é comum que esses problemas ocorram ao mesmo tempo e estejam relacionados.
Um idoso com boca seca pode ter:
- Maior risco de cáries de raiz em regiões com retração gengival;
- Mais dificuldade de mastigar porque os alimentos não “escorrem” bem;
- Dor e sensibilidade que o fazem evitar certas comidas.
Por isso, na Odontogeriatria, não tratamos apenas a queixa isolada. Buscamos entender:
- O quadro de saúde geral;
- Os medicamentos em uso;
- As limitações funcionais;
- A rotina de higiene e alimentação;
- O suporte que o idoso recebe da família ou cuidador.
Dessa forma, o tratamento pode ser planejado de modo mais realista, seguro e eficaz.
Orientações práticas para familiares e cuidadores
Se você cuida de um idoso que apresenta boca seca, retração gengival ou dificuldade de mastigar, algumas atitudes podem ajudar no dia a dia:
- Observar mudanças na boca: feridas, sangramentos, queixas de dor ou sensibilidade;
- Incentivar a ingestão de água ao longo do dia (respeitando orientações médicas);
- Evitar o uso de enxaguantes bucais com álcool, que podem piorar a secura;
- Usar escovas de cerdas macias e evitar força excessiva na escovação;
- Auxiliar na higiene, se o idoso tiver dificuldade motora ou cognitiva;
- Notar se ele está comendo menos, deixando alimentos de lado ou demorando mais tempo para terminar as refeições;
- Agendar uma avaliação odontogeriátrica para investigação detalhada.
Lembrando que, na terceira idade, pequenas mudanças na boca podem causar grandes impactos na vida do paciente, e quanto mais cedo forem avaliadas, mais simples tende a ser a intervenção.
Odontogeriatria em Jardim Bonfiglioli (Butantã, São Paulo): cuidado especializado para idosos
Na Clínica Odontológica Andréa Ávila, localizada em Jardim Bonfiglioli, região do Butantã, em São Paulo, oferecemos atendimento especializado para:
- Idosos com boca seca e sensibilidade dentária;
- Pacientes com retração gengival e cáries de raiz;
- Idosos com dificuldade de mastigar, próteses antigas ou pouco confortáveis;
- Pacientes com doenças crônicas, limitações motoras ou cognitivas;
- Famílias e cuidadores que buscam orientação segura e humanizada.
Com mais de 26 anos de experiência, formação em Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar e Pacientes Especiais, a abordagem da clínica é sempre:
- Humanizada,
- Segura,
- Individualizada,
- Focada em qualidade de vida.
Pequenos incômodos, grandes impactos
Boca seca, retração gengival e dificuldade de mastigar não são “detalhes” do envelhecimento. São sinais de que a boca precisa de atenção especializada.
Tratar esses problemas não significa apenas “cuidar dos dentes”, mas:
- Facilitar a alimentação;
- Reduzir dor e sensibilidade;
- Prevenir infecções e complicações;
- Proteger a autoestima e o bem-estar do idoso.
Se você mora em Jardim Bonfiglioli, Butantã ou região de São Paulo e percebeu esses sinais em um familiar idoso, a avaliação com um odontogeriatra pode ser o primeiro passo para restaurar conforto e qualidade de vida.


