Uma das queixas mais frequentes que ouço no consultório, aqui em Jardim Bonfiglioli (Butantã, São Paulo), é a seguinte:
“Doutora, a prótese da minha mãe vive machucando.”
“Meu pai tem vergonha de sorrir, porque a dentadura solta na frente dos outros.”
“Ele só consegue comer coisas muito moles, senão a prótese sai do lugar.”
Muitos idosos passam anos convivendo com próteses desconfortáveis, acreditando que “é assim mesmo” ou que “já estão velhos demais para mexer nisso”. Mas isso não é verdade.
Prótese não foi feita para machucar, cair ou limitar a alimentação. Quando isso acontece, é um sinal de que algo não vai bem e precisa ser reavaliado.
Neste texto, quero explicar por que a prótese passa a incomodar com o tempo, quais sinais indicam que é hora de ajustar ou trocar, e como, na Odontogeriatria, decidimos o melhor caminho para cada idoso.
Por que a prótese começa a machucar ou soltar?
Mesmo quando a prótese foi bem feita no passado, o corpo do idoso não é estático. Com o passar dos anos, acontecem mudanças importantes:
- Reabsorção óssea: o osso da mandíbula e da maxila, que sustenta a prótese, vai diminuindo de volume.
- Alterações na gengiva: a mucosa pode ficar mais fina, mais sensível ou com áreas de hiperplasia (aquela “carne crescida” que aparece em volta da prótese).
- Desgaste da própria prótese: com o uso, a base e os dentes artificiais se desgastam.
- Mudanças musculares e funcionais: a forma de mastigar, a força da musculatura e até a posição da boca podem se transformar ao longo do tempo.
A prótese é um objeto rígido, feito para se adaptar a uma boca que, com o tempo, muda de forma. Em algum momento, ela deixa de encaixar como antes. É aí que surgem:
- Feridas e machucados recorrentes;
- Sensação de prótese “dançando” na boca;
- Instabilidade ao falar e mastigar;
- Necessidade de usar muito adesivo para tentar segurar a prótese.
Nada disso é “normal da idade”. São sinais de alerta.
Sinais de que está na hora de reavaliar a prótese do idoso
Alguns pontos que costumo investigar nas consultas de Odontogeriatria:
- Feridas frequentes na boca: aftas, áreas vermelhas, feridas que insistem em voltar, principalmente embaixo da prótese.
- Dificuldade para comer: o idoso passa a cortar alimentos em pedaços muito pequenos, evita carnes, frutas mais firmes e alimentos crocantes.
- Medo de sorrir ou falar em público: ele evita encontros, fica calado, ri cobrindo a boca.
- Uso exagerado de adesivos: precisa aplicar o produto várias vezes ao dia para que a prótese “aguente”.
- Prótese muito antiga: próteses com 10, 15, 20 anos de uso quase sempre já não acompanham a anatomia atual da boca.
Se você vê esses sinais no seu familiar, vale a pena agendar uma avaliação. Muitas vezes, pequenos ajustes já trazem um alívio enorme.
Ajustar, reembasar ou trocar? Entendendo as possibilidades
Na prática, quando avalio um idoso com queixa em relação à prótese, penso em três caminhos principais, sempre considerando a saúde geral, a idade funcional, a colaboração e o apoio da família.
1. Ajustes pontuais – quando a prótese machuca em pontos específicos
Se a prótese ainda tem uma boa estrutura geral, mas está machucando em determinadas áreas, podemos:
- Identificar os pontos de maior pressão;
- Fazer ajustes internos na base da prótese para aliviar essas regiões;
- Polir e suavizar bordas que estão irritando a mucosa.
Esse tipo de procedimento costuma ser rápido e traz alívio quase imediato. É muito útil, por exemplo, após pequenas mudanças anatômicas ou em pacientes que começaram recentemente a usar uma prótese nova.
2. Reembasamento – quando a prótese “perdeu o encaixe”
Quando o osso e a gengiva mudam, é como se o “chão” embaixo da prótese afundasse, e ela ficasse “folgada”. Nesses casos, posso fazer o reembasamento, que é uma remodelagem da parte interna da prótese, para que ela volte a se adaptar à forma atual da boca.
Na prática:
- A prótese é mantida,
- Mas a superfície que fica em contato com a gengiva é substituída ou complementada com um novo material,
- Buscando recuperar a estabilidade.
O reembasamento é uma boa opção quando a prótese ainda está em bom estado, mas o encaixe foi comprometido ao longo do tempo.
3. Troca da prótese – quando a estrutura já não atende mais
Há situações em que a prótese está:
- Muito desgastada,
- Quebrando com frequência,
- Com dentes artificiais muito gastos ou desalinhados,
- Esteticamente prejudicada a ponto de não oferecer suporte adequado para lábios e rosto,
- Tão desadaptada que o reembasamento não resolve.
Nesses casos, a melhor opção é confeccionar uma nova prótese.
Na Odontogeriatria, essa decisão leva em conta:
- o quanto o idoso está disposto a se adaptar a uma nova peça,
- a presença de doenças como Alzheimer, Parkinson, AVC prévio,
- a condição emocional (alguns pacientes se sentem muito ansiosos com mudanças),
- a capacidade de higiene e manuseio da prótese.
Sempre converso com a família sobre expectativas: próteses novas podem ficar mais estáveis e confortáveis, mas também exigem um período de adaptação, principalmente em idosos que usavam a mesma dentadura há muitos anos.
E os implantes? Idoso pode ou não pode?
Essa é outra dúvida muito comum:
“Doutora, meu pai já tem mais de 70 anos. Ainda dá tempo de colocar implante?”
A resposta não depende da idade cronológica, mas da saúde geral, do uso de medicamentos, da qualidade óssea e do grau de colaboração do paciente.
Em alguns idosos bem controlados, ativos e com boa condição sistêmica, é possível discutir tratamentos com:
- próteses sobre implantes (protocolo),
- próteses removíveis estabilizadas com poucos implantes,
- soluções que dão mais firmeza e conforto do que a prótese tradicional.
Por outro lado, em pacientes muito frágeis, com doenças descompensadas, uso complexo de medicamentos (como anticoagulantes em dose alta) ou grande limitação funcional, implantes podem não ser a melhor opção.
Na Odontogeriatria, é essencial pesar risco x benefício. Em muitos casos, conseguimos melhorar muito a qualidade de vida do idoso apenas com boas próteses convencionais bem planejadas, sem necessidade de cirurgias.
Consequências de manter uma prótese ruim
Quando a prótese não vai bem e nada é feito, os efeitos vão além da boca:
- A alimentação se restringe, muitas vezes a sopas, purês e alimentos muito macios.
- O idoso perde peso, pode ficar desnutrido e mais frágil.
- A autoestima fica abalada: ele deixa de sorrir, evita fotos, se afasta do convívio social.
- A dor crônica e o desconforto geram irritabilidade, cansaço e até piora de quadros emocionais, como depressão.
- Em pacientes com demência, próteses ruins podem piorar a agitação e a recusa alimentar.
Ou seja: uma prótese mal adaptada pode roubar muito mais do que o sorriso; pode roubar prazer de comer, segurança e vontade de se relacionar.
O papel da família e dos cuidadores
Nem sempre o idoso fala claramente: “minha prótese está ruim”. Muitas vezes, quem percebe algo diferente é a família. Vale prestar atenção se:
- ele está comendo menos do que comia antes;
- passa mais tempo mexendo na boca ou tirando a prótese;
- está evitando sair de casa, conversar ou sorrir;
- surgiram feridas na gengiva, no céu da boca ou na língua;
- houve perda de peso recente.
Se você é filho, neto ou cuidador, é importante trazer essas observações para a consulta. Elas ajudam muito a entender o impacto real da prótese na rotina do idoso.
Como é a avaliação de prótese em Odontogeriatria?
Na Clínica Odontológica Andréa Ávila, quando avalio um idoso com queixas sobre a prótese, faço uma análise ampla:
- Examino a mucosa da boca em busca de feridas, inflamações e áreas de trauma.
- Verifico como a prótese assenta na gengiva, se há folgas ou áreas de pressão excessiva.
- Avalio o contato entre a prótese superior e inferior, observando a mastigação.
- Pergunto sobre a alimentação, os momentos de desconforto e o impacto emocional.
A partir disso, converso com o paciente e a família, explicando:
- o que está acontecendo,
- quais são as opções (ajuste, reembasamento, troca),
- o que é mais seguro e indicado para aquele caso,
- o que podemos esperar de resultado.
O plano de tratamento é sempre individualizado, respeitando a história, as limitações e as prioridades de cada idoso.
Odontogeriatria em Jardim Bonfiglioli (Butantã, São Paulo): como posso ajudar
Trabalho há anos com idosos, pacientes especiais e odontologia hospitalar, e sei que mexer em próteses, nessa fase da vida, envolve muito mais do que técnica. Envolve confiança, acolhimento e respeito ao tempo de cada um.
Na Clínica Odontológica Andréa Ávila, em Jardim Bonfiglioli – Butantã, São Paulo, ofereço:
- avaliação cuidadosa das próteses atuais;
- orientação clara para familiares e cuidadores;
- planejamento de ajustes, reembasamentos ou novas próteses, sempre pensando em conforto, função e segurança;
- acompanhamento próximo durante o período de adaptação.
Prótese não precisa ser sinônimo de sofrimento
Prótese bem adaptada deve:
- permitir mastigar com segurança,
- não machucar,
- dar confiança para sorrir e falar,
- contribuir para uma alimentação adequada e uma vida social mais ativa.
Se o seu familiar idoso sofre com uma prótese que machuca ou vive caindo, isso não precisa ser “normal”.
Com a abordagem certa, é possível devolver conforto, segurança e autoestima, respeitando as particularidades de cada paciente.
Agende uma avaliação
Se você percebe que a prótese do seu pai, mãe ou avó está atrapalhando mais do que ajudando, podemos avaliar o caso com calma:
- Site: andreaavilaodontologia.com.br
- Seção: Odontogeriatria
- Local: Clínica Odontológica Andréa Ávila – Jardim Bonfiglioli, Butantã – São Paulo
Será um prazer ajudar sua família nesse processo.




